Mas afinal: por que corremos tanto?

 
Já fiz essa pergunta por aqui diversas vezes. Já questionei o porquê do comportamento de rebanho. Assim com em meados dos anos 90 os Titãs já cantavam "a gente não quer só dinheiro a gente quer dinheiro e quer felicidade, a gente não quer só dinheiro a gente quer inteiro e não pela metade..."
 
 

Mas será mesmo que a gente sabe o que quer? E principalmente: a gente sabe o que NÃO quer? A correria do dia a dia nos atropela e acaba por nos deixar sem tempo para julgar o que é pertinente ou não no turbilhão diário. 

Será mesmo que as crianças têm mesmo que as crianças têm estudar dois idiomas, praticar 3 esportes, fazer catequese e ter uma agenda de lazer aos finais de semana? Será mesmo que os homens e mulheres só se sentirão reconhecidos como profissionais se abdicarem da vida pessoal em função da dedicação total ao mundo corporativo? Ou quem sabe para ter uma vida pessoal satisfatória não se possa ter uma trajetória profissional de sucesso e responsabilidades?

 
 

Sinceramente? Eu acredito que existe espaço para tudo e para todos. É só uma questão de adequação, encaixe... A velha história de que "ovelha não é para mato", mas tem muitas outras utilidades, não é verdade?

E se nos permitíssemos parar e pensar no que estamos fazendo e por que estamos fazendo?

E se avaliássemos nossa correria diária? Ela é realmente necessária ou faz parte de uma bola de neve que nos atropela à tempos e da qual não conseguimos mais nos livrar?

Quanto tempo você gasta se vestindo pela manhã? Essa simples tarefa diária te estressa logo no início do dia?

Nossa vida está passando em modo automático ou estamos vivendo na busca obsessiva pela vida de vitrine, aquela que serve para ser exibida nas redes sociais. Será que é disso que precisamos? Preciso que os outros me admirem, invejem ou aprovem para que eu possa me sentir satisfeito. Ou será que seria mais harmônico vivermos nossas vidas de forma  simbiótica, numa espécie de corrente do bem, onde ninguém precisasse ser melhor do que ninguém. Como já dizia John (Lennon) "you may say I'm dreamer...", mas trocar apoio é tão mais simples que trocar farpas. Cuidar do seu nariz e distribuir bom dia. 

 

A pouco mais de uma semana tive o privilégio de participar de um iniciativa linda chamada "Pedal da Inclusão" - 1• Pedal de Inclusão do Deficiente Visual no Ciclismo, promovido por pessoas especiais que se envolveram desde a coleta de material reciclável para a aquisição das bicicletas especiais até a condução a condução dos deficientes visuais no passeio. Foram momentos especiais para todos que viveram aquele momento. Tanto para os deficientes visuais que não escondiam seu encantamento em estarem andando de bicicleta, em plena avenida Ipiranga, sentindo o vento no rosto, quanto para os condutores das bikes especiais que se viram emocianados ao ouvirem o relato daquelas pessoas e como elas percebiam o mundo à sua volta. Os detalhes dos barulhos emitidos pelas bikes, as vozes e os tons de riso que os faziam identificar quem estava por perto... E foi assim que naquele passeio, naquela troca de experiências e percepções que mais uma vez eu volto a questionar: "para que correr tanto?" "Para que ostentar e competir tanto?"

 

E é nessa vibe que ficam aqui algumas palavras ao vento: minimalismo, simplificação, cooperação.

 

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