Não Provoque: é cor, raça e toque!

Tá bom, eu sei que atualmente todo mundo bate na tecla do feminismo, mas ao contrário de muita modinha que aparece por aí, esse assunto é muito sério e precisa de atenção.


Nem me lembro mais como, mas me surgiu meio que do nada um livrinho, pequenininho, escrito por uma nigeriana de nome difícil e título forte que me pescou na hora: “Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto” (Chimamanda Ngozi Adichie).


O livro foi feito a partir de uma carta que a autora enviou para sua comadre, cuja primeira filha acaba de nascer, em resposta ao seu pedido de orientação quanto ao criar aquela menina segundo aos preceitos do feminismo, já que Chimamanda é uma reconhecida autoridade neste assunto. Assim, a autora responde ao pedido em forma de 32 dicas, descritas no livro, de forma bastante didática e usual.
 
 
O que mais me chama atenção nesse assunto de feminismo é sempre deixar bem claro que feminismo não é o contrário de machismo (o contrário de machismo é femismo). Feminismo é um movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres. E é disso que o livro trata: do quanto estamos inseridos numa sociedade desigual para homens e mulheres e no que podemos contribuir criando nossas crianças de forma a quebrar paradigmas, contestar costumes tidos como inocentes, mas que contribuem para a perpetuação das diferenças dos papéis de gênero na sociedade.
 

 
Logo no início do livro ela fala sobre como pai e mãe devem ter exatamente as mesmas obrigações com o bebê, à excessão da amamentação no peito evidentemente. Isso porque o que se ouve normalmente é que o pai “ajuda”. Eu mesma ouvi muitas vezes que meu marido era um bom pai, pois ele ajudava com as crianças. Como assim? Permitam-me nesse momento fazer um desabafo: quando assisti ao filme “Minha Mãe é uma Peça” me identifiquei completramente com uma fala da D. Hermínia onde, num momento em que ele diz estar ajudando ela com as crianças, ela pergunda ao ex marido “Como assim ajudando? Por acaso eu fiz com o dedo Carlos Alberto?”. Mais uma vez me perdoem a grosseria (na verdade eu não sinto tanto porque eu gosto muito desse exemplo), mas essa é a mais pura verdade! Tanto a mãe quanto o pai tem responsabilidades iguais nos cuidados com os filhos. Talvez a culpa por se aropriar mais desta responsabilidade seja mais da mãe do que do pai, mas não estamos aqui para achar os culpados e sim para clarear os fatos.
 
 
Não vou ficar aqui descrevendo o livro todo, mas preciso citar outra parte em que me identifiquei demais, tanto no papel de mãe, quanto no de filha e de mulher. Meninos vestem azul, meninas vestem rosa. Meninas brincam de boneca e utilidades domésticas, meninos brincam de carrinho e de dominar o mundo. Meninas têm profissões que demandam cuidado, afeto e atenção, meninos têm profissões de liderança e poder, eles constroem e destroem, eles julgam e governam. Exagerei? Será mesmo? Usem tip top azul numa bebê menina e me contem se nuinguém vai questionar o porquê daquilo. Ou pior (não sei por quê!) coloquei roupas rosa num menininho e me contem depois. Dê uma Barbie de presente para um menino e um carrinho para uma menina. Ficou louco? Quando eu fui fazer vestibular adivinha qual profissão eu (que adorava brincar com carrinho, odiava usar vestido, dancei valsa, a contra gosto, na sala da minha casa, nos meus 15 anos, toda vestida de preto) escolhi: engenharia (só podia!).
 
  
Onde eu quero chegar com tudo isso? Todos somos seres humanos, e independente do gênero, temos nossas preferências, nossas limitações, nosso estilo, nossas crenças, nossa etnia... e precisamos entender que para sermos respeitados precisamos respeitar os outros. Não precisamos aceitar concordar, seguir... só precisamos respeitar! E quando eu falo em respeito eu me refiro a não prejulgar um ser humano simplesmente porque ele nasceu com um orgão genital masculino ou feminino. Isso, no máximo, vai indicar se ele pode ou não gerar uma vida dentro de si, o que deveria ser reverenciado, mas aí já vamos entrar em outro assunto... Precisamos que nossas crianças cresçam sabendo que meninas e meninos têm os mesmos direitos e deveres. Precisamos ensinar respeito desde cedo. Precisamos demonstrar respeito. Precisamos respeitar se quisermos ser respeitados. É disso que trata o Feminismo. É disso que trata o livro da Chimamanda. É disso que todos precisamos: Respeito e Educação.
 
 
 

Comentários

  1. Parabéns mais uma vez. Sempre direta e franca, sempre com uma visão imparcial da situação... tu é top demais... Fico feliz por demais que tenha retomado seus posts no bloguinho.

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