Ok, não posso ignorar a baleia azul...


Durante os últimos dias o assunto que mais tem aterrorizado, e com muita razão, mães e pais, de crianças e adolescentes do mundo todo, é o tal “desafio da baleia azul”. Para quem ainda não sabe do que se trata segue aqui um link de um vídeo bastante esclarecedor.


 


Todos os dias são noticiados mais e mais casos a respeito de jovens que se envolveram nesse desafio, fotos, mensagens, notícias de suicídio, em que não se sabe da veracidade ou não dos fatos. Mas na dúvida, ainda mais em se tratando de vulneráveis, todo cuidado é pouco. Assim, os grupos de whatsapp, as postagens do facebook, os twitters... estão alimentando as discussões de pais e mães sobre o quanto expor ou não seus filhos às redes sociais, aos meios eletrônicos, enfim, à enxurrada de facilitadores de acesso que temos atualmente e que não existiam no nosso tempo (tomo a mim como referência, no auge dos meus “quase” 40 anos). 

A grande questão dos tempos atuais, e que ainda tomou maior proporção com o caso da baleia azul, é dar ou não acesso às redes sócias para nossas crianças/adolescentes? Proibir seria a solução? Temos como controlar?

Não sou especialista na área e não gosto de dar conselho, apenas palpito sobre os assuntos a que me vejo exposta. E nesse caso, como tenho dois filhos que se encaixam nessa faixa etária, me sinto a vontade para expressar minha opinião. Caso não a queira, por favor, encerre aqui sua leitura. Muito obrigada pela atenção.

Em primeiro lugar preciso dizer que tenho uma série de restrições quanto à celulares, jogos eletrônicos, TV... acredito que todos eles “roubem” um tempo precioso em que poderíamos estar desfrutando de atividade muito mais produtivas, sendo andar de bicicleta, jogar um jogo de tabuleiro, conversar, caminhar ou até dormir. Mas também sei que cada um deles tem seu lado positivo. No caso dos aparelhos celulares tive que “dar meu braço a torcer” nos últimos tempos, quando precisei intensificar minha comunicação direta com as crianças (o porquê disso fica para outro texto). O caso foi que decidi dar um celular para cada um deles (um tem praticamente 12 anos e a outra 8 anos) e, consequentemente, também dar acesso ao whatsapp. Não foi uma decisão fácil, posso garantir. Também posso garantir que essa atitude me gerou mais uma demanda diária: controlar remotamente se eles estão online durante o dia, revisar o que conversaram nos grupos (confiando que não foi editado), “dar bronca” quando o uso é indevido... mas faz parte do treinamento, que também pode se chamar, educar para a vida.

Sei que existem muitos riscos na web, muitas pessoas mal intencionadas que se fazem passar por crianças, por amigos... sei o quanto é fácil enganar seres tão ingênuos quanto crianças (segue o link de um vídeo de um experimento onde um estudante de psicologia pede autorização dos pais, em uma pracinha, para tentar atrair suas crianças oferecendo um simples doce, bem na frente deles, vale a pena conferir). Caso você tenha assistido o vídeo deve estar pasmo, caso não tenha assistido, aqui vai um spoiler: as crianças são atraídas pela conversa do estranho (nem é pelo doce muitas das vezes), bem na frente dos pais, em plena luz do dia. O que dizer então de quando estão longe de nós? De quando estão na internet? Até mesmo na escola, ou no condomínio onde moram? Ou na casa de um parente? Será que conseguimos mesmo protege-los o tempo todo nos fazendo presentes e limitando o uso dos gages? Ou será que seria mais produtivo treiná-los ao uso dos gages? Entender que expostos eles já estão, QUEIRAMOS OU NÃO!

Vamos voltar uns 25 anos no tempo, quando não tínhamos celular, mas ainda assim os pais tentavam proteger seus filhos dos perigos do mundo da maneira que achavam que era certo e possível. Ainda me lembro claramente de uma colega, do tempo em que se chamava 1º grau (hoje ensino médio), cujos pais tinham um cuidado digamos demasiado com todos os filhos (eram três no total, sendo ela a mais velha). Ela era entregue e “coletada” na porta da escola, assim como seus irmãos mais novos. Ela era sempre a aluna número um, todos eram muito religiosos e passeios com os amigos não eram vistos com bons olhos, mesmo que fossem idas à casa de colegas para fazer trabalhos da escola. Um belo dia a menina sumiu. Simplesmente deixou de frequentar as aulas. Ninguém nos dizia por quê! Como eu era muito próxima dela aquilo começou a me gerar um desconforto muito grande, e meus pais resolveram então me contar a desgraça que tinha assolado a tal menina. Ela estava grávida! Grávida? Como assim? Impossível! Ninguém dava um minuto de sossego para aquela criatura! Bom, não convém aqui eu continuar a contar o resto dessa história, mas sim onde eu quero chegar contando a mesma: proibição, supercontrole, gera ansiedade, aumenta curiosidade, e nessa faixa etária pode contribuir para que o jovem se sinta destemido. E é aí que mora o perigo. Muito cuidado porque ser destemido não é ser corajoso. Ser corajoso é enfrentar o medo tendo consciência deste, enquanto que ser destemido é agir de forma inconsequente, sem medo, sem receio das consequências. 

A baleia azul não pode ser vista como um símbolo de coragem, mas como uma inconsequência. Extirpar os meios de comunicação pode sim dificultar o envolvimento nesse tipo de caso, mas pode alimentar o viés da curiosidade, o que instiga os destemidos. Por isso não existe fórmula (deixar ou não deixar ter acesso ao whatsapp), existe pai e mãe, existe educação, existe controle, e não se engane, existem falhas. Cada um do seu jeito, cada um com sua fórmula, mas que sempre exista respeito e cuidado, para que esse tipo de absurdo como o da baleia azul seja rapidamente percebido por pais atentos e presentes na vida dos filhos que passam por uma fase de tantas novidades, medos e questionamentos.


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