O que não está em movimento está morrendo...



Quantas versões de você mesmo existiram ao longo da sua vida? Suas ideias, crenças religiosas e políticas, preferências gastronômicas, amizades... Caso você esteja, como eu, "na casa dos quarenta", deve lembrar quem era você aos vinte e poucos anos. Lá no início da construção da vida adulta, quando as certezas ainda são bem poucas e as oportunidades são inúmeras. Quais eram suas crenças? E seus objetivos? Provavelmente ao longo do caminho, no desviar das pedras, ou em alguns tropeços, essas crenças e objetivos foram sendo refinados, alterados ou até esquecidos e substituídos.
 
O renomado matemático Blaise Pascal, criador da Teoria das Probabilidades e daquela que seria a percursora da máquina de calcular, é o responsável pela celebre frase: "Não tenho vergonha de mudar de ideia, porque não tenho vergonha de pensar."
 
Somos obras em construção. A todo momento somos assolados por noticias, informações, criações... É preciso acompanhar a evolução dos tempos. Nunca tivemos tamanho acesso a tudo e a todos. Então, como seria possível continuar "operando" com a mesma cabeça de vinte anos atrás?
 
Às vezes me pego pensando, como seria ter acesso a certas "informações avançadas", que só vem com a maturidade. Se na juventude pudéssemos ter mais da serenidade que a maturidade nos traz, talvez entenderíamos que ao tropeçar em uma pedra, não seria preciso se apegar à mesma e arrasta-la ao longo da vida, até que, em um belo dia, depois de muitos anos, percebêssemos isso, e déssemos um belo chute na tal pedra. Ainda que pessoas mais velhas tentem repassam seu aprendizado aos mais novos, normalmente só agregamos esse conhecimento quando vivenciamos na própria pele as consequências de nossos atos.
 
Quantas vezes deixamos de tomar uma atitude por medo de sermos tachados de irresponsáveis ou inconsequentes? A decisão da mudança já é por si só muito doída, pois nos tira da zona de conforto (aquela que imaginamos ser segura e quentinha, mas nos engessa e torna apáticos frente à vida), e ainda por cima nos deixa vulnerável ao que os outros vão pensar de nós. Até podemos dizer que não, mas, de uma forma ou de outra, o julgamento alheio nos apavora e muitas vezes paralisa. Caso você seja uma exceção, parabéns! Mas isso não se aplica a maioria de nós, reles mortais, que temos perfil no Facebook, sempre na busca de aprovação (curtidas) nessa fogueira de vaidades (vitrine da vida cor de rosa). 

Citando Kant (principal filósofo da era moderna): "o sábio pode mudar de opinião. O ignorante nunca.". O sábio aceita a opinião do outro, mesmo que não concorde com tudo que ele diz. O sábio respeita a religião do outro e mostra um pouco da sua. O sábio se permite aprender com os erros e rir de si mesmo. O sábio entende que o valor da vida não está na coisas e sim nas pessoas. O ignorante julga o sábio e prega sua verdade como absoluta.

Em um mundo onde somos metralhados por notícias ruins e tristezas batendo à nossa porta, é preciso ser camaleão. O que não está em movimento está atrofiando, como quando imobilizamos um membro. Caso você já tenha engessado um braço ou perna, sabe que quando retira o gesso, o membro está completamente atrofiado. É preciso exercitá-lo para que aos pouco ele retomo sua força e movimentos. Mas e se não retirássemos o gesso?  Estudos indicam que partes do nosso corpo como o apêndice e os dentes do siso, como o tempo não mais existirão, pois perderam sua função com a evolução da espécie. O que não está se desenvolvendo está morrendo.
 
Cabe a nós avaliarmos as nossas vidas para identificarmos se estamos estagnados ou em movimento nas diferentes áreas do cotidiano. As gerações mais antigas eram ensinadas que a estabilidade no emprego (e não por acaso eu usei o termo "emprego") era fundamental para uma vida satisfatório. Hoje, os milleniuns não se contentam com menos do que encontrar um propósito no que fazem. Os tempos mudaram. Quem está certo? Não interessa. O que interessa é manter-se em movimento. Um emprego com estabilidade (se é que ainda existe isso), alto salário e bonificações, é muito atraente e aparentemente perfeito. Mas se não for acompanhado de um propósito, sempre será somente um emprego.
 
A vida com propósito não é perfeita, mas ela tem um porquê de ser. Se você tem problemas de relacionamento, mas tem um propósito de vida que te move, tem de onde tirar forças para superar a dificuldade. Se você tem uma crença que te sustenta, menos avassaladoras serão suas derrotas.
 
Não culpe a vida, ou o destino pelo que te acontece. Apodere-se da sua realidade e faça as mudanças que tem que ser feitas. Enfrente os desafios, suporte as dores, mas não fique parado, engessado, sentindo pena de si. Se mantenha em movimento. Tenha clareza dos SEUS movimentos na busca do SEU propósito.
 
#porumavidacommaisproposito
 

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